terça-feira, 26 de março de 2013




AUTORITARISMO

Tuas palavras me faziam estremecer
Tu que me davas tanto prazer!
...
E medo!
Deus!
Nem quero lembrar
Eu quero apagar...

sonia delsin 



MARIANA

Vem, Mariana
Estou precisando de ti
De teu sorriso
De tua leve mão
De teu lindo coração
Estou precisando de tuas palavras
De tuas asas
Vem, Mariana
Estou toda dolorida
É o peso desta vida
É a ferida...

sonia delsin 



SONS DO SILÊNCIO

De olhos fechados
Portas fechadas para o mundo físico
Eu me afasto
Eu me basto
Basta o silêncio e seus sons
Imperceptíveis quando o mundo vem interferir
Vou me afastando de tudo que me prende aqui

sonia delsin  



EU TE AMO

Eu te amo, Andrewzinho!
Adoro teu sorriso
Teu jeitinho
Como eu te amo, meu netinho!


sonia delsin 



AS ROSAS

Tão lindas sob a chuva...
...
Vermelhas
Até sinto desejos de pedir à chuva que não as maltrate
Elas são tão belas


sonia delsin 



SEU SORRISO DOCE

Seu sorriso doce me encanta
Ele suplanta
... toda dor do viver

sonia delsin 



MENTIAS

Tão bem mentias
Até quase me convencias
Pena que as mentiras têm as pernas curtas...

sonia delsin 



CHORA, POETA

É assim que você alivia a alma.
Chora, poeta, chora!
Que a dor vai embora.

sonia delsin 



PELOS VÃOS

Sonhos vãos.
Escapam por entre
meus dedos.
Eles escapam pelos
vãos.
Você dizia que tinha raízes...


Você se dizia preso ao solo amado.
Preso ao seu mundo tão organizado.
Pena! Que pena!
Não se permitia sonhar, voar.

Seu ser iria gostar.
De navegar...
Flutuar...
Experimentar...
Extravasar.

As asas ficavam tão apertadas.
Ao seu corpo branco tão coladas!

Ó, meu querido!
Os seres não se podem prender.
Devem se desprender...

Admito que um dia precisamos morrer,
mas enquanto aqui estamos, necessitamos
sentir o prazer... de viver.

 sonia delsin 



RODAS DO CORAÇÃO

ia o tempo
a favor das águas
iam minhas mágoas
era roda viva
viva a roda da vida
tudo leva
tudo lava

sonia delsin 



QUEM RESISTE?

quem resiste a um riso infantil?
a uma criancinha?
gracinha

sonia delsin 



LEMBRO BEM

lembro bem a hora do adeus
seus olhos
os meus
o vazio que ficou
parecia que o mundo tinha acabado
mas precisamos enterrar o passado


sonia delsin 



DESAFETO

Palavras duras.
Ó! E ditas tão simplesmente...
São chicotes no ar.
Ferem.
Machucam.
Chegam a matar.
Sim, matar.
Vão matando aos poucos.
Devagarzinho.
Vão matando os sonhos.
As ilusões todas.
As esperanças.
Vão enterrando expectativas.
Vão criando um novo mundo.
Um submundo.
De desafeto.
De desesperança.
Um mundo de coisas mortas que lamentamos.
Mumificados os sonhos.
Uma pirâmide colossal.
Não se torna pó.
São eternizados e causam dó.
Palavras...
Quanto poder de construção!
E quanto poder de destruição!
Palavras duras...
Não caminham com o vento e se perdem.
Penetram o coração e se instalam.
Vão fazendo um ninho no peito.
Cabe a nós removê-lo.
Só a nós...

sonia delsin 



UMA PISCINA DE GEL

Alguém a se afogar eu desejei ajudar.
Gritei, insisti.
É só bater os braços, as pernas. Tente.
Não desista.
Uma cabeça que aparece à flor d’água.
Quando desaparece meu peito dói. Eu grito.
Meu grito parece alcançar o infinito.
─ Tente, tente. Continue. Insista.

De repente não era mais outra pessoa que se afogava.
Era eu mesma em seu lugar.
Era eu a afogar.
As sensações idênticas.
Eu tentando dar uma braçada e nada.
A água azul tão pesada.
Eu sei que posso. É só esticar o braço. Só dar uma braçada.
─ Tenho que vencer. Tenho que conseguir. Vou insistir.
De nada adianta. Não consigo. A força da água é tanta.
Tento... tento. Afundo.

Volto à tona. E a água me sugando, me afundando...
Acordo suando.
A aflição me dominando.
Não me alivia nem o saber que só estive sonhando.

sonia delsin 



SEPARAÇÃO

Dor por todo canto.
É lamento.
É pranto.
Vazia a mesa.
O copo.
Vazia a cama.
Vazia a varanda.
A rede preguiçosa.
Não há prosa.
Silêncio pesado.
É solidão.
Tanto não.
O anjo atrás da porta
espia a pia.
A panela.
A tigela.
A flor esquecida.
A carta não lida.
Ergue as duas mãos.
Cobre os olhos.
Nas cinzas remexidas.
as brasas adormecidas.
É fim?
The end?
Acabou?
É separação?

sonia delsin 



UMA FOLHA CAÍDA
 
Uma folha amarelada.
Pequenina e delicada.
Caiu-me assim nas mãos enquanto escrevia.
O que contar de uma folha que cai?
Passo a observar cada detalhe dela.
Sinto sua maciez.
Ainda há pouco era parte da árvore.
Deixou suas milhares de irmãs que também cairão.
Está só a pobrezinha.
Indo embora.
Posso guardá-la comigo para que não se vá.
Que vontade de salvar cada folha caída.
Mas não!
É o ciclo da vida.
 
sonia delsin 



UM CARAMANCHÃO
 
Manhã tão fresca.
O amanhecer límpido depois de uma noite chuvosa.
Um céu de anil. Ausência de nuvens.
O astro rei com todo seu esplendor.
Me vi ali sob o caramanchão.
As flores róseas tão belas.
Tantas e tantas delas.
As folhas delicadas. Uma rede verde.
Os galhos a estender-se preguiçosamente.
Cortina colorida de vida a quase tocar o chão.
Amei naquele instante o caramanchão.

sonia delsin 



RAZÃO E EMOÇÃO

Não posso ser razão
se sou pura emoção.
Não posso ser chegada
quando estou sendo
partida.
Você nem sabe
a falta que vou fazer
na sua vida.


sonia delsin 



EU ESCREVI O SEU NOME

Eu escrevi um nome pra amar.
Escrevi na areia...
Veio a onda e apagou...

Escrevi com um canivete no caule de um coqueiro.
Alguém o cortou.

Escrevi nos muros...
De velhos os muros ruíram...
O tempo desgastou.

Escrevi em folhas de papel.
Que ficaram tão amareladas.
Por mãos que não sabiam de nada
elas foram amassadas.

Escrevi no meu coração.
Aí então...
Eu consegui eternizar.
Do meu peito eu lhe garanto que seu nome...
nada,
nem ninguém,
vai conseguir arrancar.

sonia delsin 



PLANTANDO ESTRELAS

Suas mãos estiveram a semear...

Eram estrelas num chão a jogar.

Sem pressa...

Você sempre soube esperar.

Sempre e sempre a aguardar.

Suas palavras...

...Tantas...

Você esteve semeando, o milagre esperando.

O milagre deste chão.

O milagre de um coração...

Você, nesta vida é pura emoção.

Você é canção.

É uma estrela caída de uma constelação.

sonia delsin 



AZUL

Nos meus sonhos. Na minha realidade.
O azul...
O azul tomando conta de minha alma.
Azul este imenso mar que toca todas as fibras de meu ser.
Este céu que guarda os mistérios do que somos.
Azul... os olhos encantadores de minha mãe.
De meu filho.
De meu irmão caçula.
De meu neto. 
O azul dos meus olhos no espelho.
Azul...
Tão azul meu sonho.
Azul o meu voar.
Minhas asas.
Minha vida é azul.
Quero com meus poemas a vida azular.
Não me canso de poetar.
E esta vida querer enfeitar.

sonia delsin 



BATE, CORAÇÃO

Dispara no meu peito.
Este meu coração com defeito.
Ele perdeu o jeito.
De tanta dor...
De tanto bater como um tambor.
Ele ficou descompassado.
Vive descontrolado.
Desconsolado...
Parece mais um drogado.

sonia delsin