UMA PISCINA DE GEL
Alguém a se afogar eu desejei ajudar.
Gritei, insisti.
─ É só bater os braços, as pernas. Tente.
Não desista.
Uma cabeça que aparece à flor d’água.
Quando desaparece meu peito dói. Eu grito.
Meu grito parece alcançar o infinito.
─ Tente, tente. Continue. Insista.
De repente não era mais outra pessoa que se afogava.
Era eu mesma em seu lugar.
Era eu a afogar.
As sensações idênticas.
Eu tentando dar uma braçada e nada.
A água azul tão pesada.
─ Eu sei que posso. É só esticar o braço. Só dar uma braçada.
─ Tenho que vencer. Tenho que conseguir.
Vou insistir.
De nada adianta. Não consigo. A força da água é tanta.
Tento... tento. Afundo.
Volto à tona. E a água me sugando, me afundando...
Acordo suando.
A aflição me dominando.
Não me alivia nem o saber que só estive sonhando.
sonia delsin

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